quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A culpa é só dos árbitros?

Árbitros novatos viram alvo fácil de técnicos, jogadores e torcedores


São Paulo - 12/02/2008

Choradeira, reclamação e críticas contra a arbitragem se tornaram, definitivamente, moda neste Paulistão. Não se sabe quem começou com isso. Mas pegou. Árbitros e assistentes nunca estiveram tão no olho do furacão como agora. O nível de insatisfação em relação ao trabalho dos homens (e mulheres) de preto (e amarelo) tomou proporções gigantescas. E nada indica que isso vá acabar tão cedo.

No clássico entre São Paulo e Santos, domingo, o árbitro Antônio Rogério Batista do Prado ouviu o diabo - dos dois lados. Santistas e são-paulinos pegaram pesado contra seu trabalho. E no ranking da Federação Paulista, Prado é o sétimo de um total de 246 membros.

O ranking reúne os árbitros do Estado divididos em três classes (ouro, prata e bronze). Apenas os árbitros ouro (30 no total) e mais os três da Fifa apitam na Série A. Para o presidente da comissão de arbitragem, Coronel Marcos Marinho, não há nada de errado com os juízes. A postura do comandante dos árbitros é a mesma desde a polêmica atuação de Salvio Spínola no clássico entre São Paulo e Corinthians, no último dia 27. Ele reconhece que os árbitros cometem falhas, mas que elas fazem parte do jogo.

"Fazemos um treinamento intenso com todo o quadro de profissionais. Há um trabalho firme para melhorarmos. O que vejo é um excesso de críticas, muitas vezes infundadas. Essas críticas servem para abafar o mau momento de uma equipe", disse ele, sem citar casos específicos.

Ocorre que o presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, teria dito ao presidente santista, Marcelo Teixeira, que Prado ‘errou feio’ ao permitir a cobrança da falta do gol são-paulino. Isso poderá levar Prado para a "geladeira" na próxima rodada.

O juiz já havia protagonizado um lance polêmico na partida entre Palmeiras e Mirassol, pela quarta rodada, quando o chileno Valdivia forçou uma falta na área e ele deu pênalti.

O Mirassol reclamou. Insatisfação que na rodada anterior era do Palmeiras, quando o mesmo Valdivia foi vítima de jogadas truculentas contra o Marília. "De uma rodada para outra a reclamação muda de lado. É comum", diz Marinho.

Até o momento, apenas o São Paulo formalizou reclamação contra a arbitragem. E obteve sucesso.

Salvio Spínola, alvo da ira Tricolor depois do clássico contra o Corinthians por ter anulado gol de Adriano, foi afastado dos jogos do São Paulo, "para evitar desgaste."

Outros clubes também reclamaram, mas não oficializaram queixa.

Os corintianos ficaram indignados com a arbitragem de Marcelo Prieto Alfieri no confronto com o Barueri, na última quarta-feira. Em entrada violenta, o zagueiro Ávalos interrompeu um contra-ataque e recebeu apenas o cartão amarelo.

"Ele (Alfieri) errou. Todos viram as imagens, mas é um bom juiz que precisa ganhar experiência", diz Marinho.

O chefe dos árbitros ouve as críticas, mas está preparado para reagir caso haja exagero, como em algumas oportunidades no Brasileiro do ano passado. As broncas públicas aos árbitros foram punidas com a suspensão dos "críticos".

Outros ‘bons’ exemplos

O técnico Renato Gaúcho, do Flu, pegou 60 dias de gancho após afirmar que os "juízes roubavam o Fluminense". Dorival Júnior, ex-técnico do Cruzeiro e hoje no Coritiba, também pagou por ter invadido o gramado em partida contra o Botafogo. Foi expulso pelo juiz Leonardo Gaciba e pegou 120 dias de suspensão.

Os dois casos foram julgados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) no Rio. Em São Paulo, o TJD, julga os abusos. "Mas ainda não existiu nenhum problema mais grave", garante o Coronel Marinho.

Fonte: Bruno Winckler - JORNAL DA TARDE

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